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Marcas Espirituais de Uma Igreja Saudável - Segunda Marca: “O Estudo Equilibrado e Aprofundado da Palavra de Deus”

“Marcas Espirituais de Uma Igreja Saudável”

Segunda Marca: “O Estudo Equilibrado e Aprofundado da Palavra de Deus” (At. 1.3; 2.42 a)

 

     INTRODUÇÃO:

     Como estudamos nos dois domingos anteriores, a oração na vida pessoal e comunitária é a premissa básica para a transformação de uma igreja saudável. Ela promove um sentido de santificação e unidade do corpo de Cristo.

     A Segunda Marca também absolutamente indispensável é o Estudo da Palavra de Deus. O estudo da Bíblia é o que traz o equilíbrio e a influência duradoura na vida da igreja. É o que sustenta e move a fé, de forma perene e saudável na sua missão aqui na terra.

     Essa é a perspectiva de Deus para sua igreja. Quando o povo estava próximo de entrar na terra prometida, nas últimas semanas de vida de Moisés, Deus o inspira para escrever o último livro da Torá: no original “Estas são as palavras”, ou como conhecemos: Deuteronômio.” Era a preparação espiritual da imensa igreja que estava ali reunida.

     J. A. Thompson em seu comentário afirma sobre o livro de Deuteronômio: “Sua influência na religião pessoal e familiar de todas as épocas jamais foi superada pela de qualquer outro livro na bíblia. É citado mais de oitenta vezes no Novo Testamento.” Afirma ele ainda que “Deuteronômio é marcado, todo ele, por um espírito de urgência.” Tanto como em seus dias, como a nós hoje, este livro tem um sermão desafio: “Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois a vida, para que vivas, tu e tua descendência...” (Deut. 30.19).

     Deus, ao inspirar Moisés com esse texto, tinha a intenção evidente de dar ao povo instrução e educação em sua fé e, ao mesmo tempo, confrontar a nação de Israel, e a nós hoje, com as exigências da sua fé. Thompson afirma ainda: “A Lei em Deuteronômio é uma expressão da vontade de Deus que deve ser obedecida.”

     É com esse pano de fundo da Palavra de Deus, que é estabelecida a igreja em Jerusalém. Agora, debaixo da Nova Aliança estabelecida por Jesus Cristo, e seus mandamentos.

“Marcas Espirituais de Uma Igreja Saudável”

Segunda Marca:

“O Estudo Equilibrado e Aprofundado da Palavra

de Deus”

 

I – Produz um Alicerce Indispensável à Saúde Espiritual da Igreja

     . A Bíblia é muito clara sobre a necessidade das escrituras para nossa saúde espiritual. O Salmo 119. 9-12 afirma o seguinte:

“9- Com que purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a tua palavra.

10- Com todo o meu coração te busquei; não me deixes desviar dos teus mandamentos.

11- Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti.

12- Bendito és tu, ó SENHOR; ensina-me os teus estatutos.”

     . O texto oferece o caminho seguro para uma vida espiritual saudável, equilibrada e com influência duradoura, como:

-Pureza no coração (9 c).

“Observando-o segundo a tua palavra”

-Intensidade e Determinação no compromisso com a palavra

“... de todo coração”

-Lugar especial na vida cristã

“... Guardo no coração as tuas palavras.” Outra tradução: “... Escondi tua palavra no meu coração para não pecar contra ti...”

-Desejo ardente de avançar no conhecimento bíblico.

“... Bendito é tu Senhor.”

-Uma exaltação a Deus pela bênção da palavra

-Em sua oração sacerdotal, o Senhor Jesus orou: “... Eu lhes tenho transmitido as palavras que me deste, e eles as receberam... Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.” (Jo 17. 8,17).

     . A respeito desse texto, o comentário da Bíblia Missionária de estudo, afirma: “A convicção de estar unido com Cristo é fruto do permanente contato dos discípulos com a Palavra de Deus, o que fortalece sua fé e guia sua vida.” A santidade é resultado do fruto de seu relacionamento e do seu compromisso com a Palavra de Deus. Somos santificados quando meditamos humilde e seriamente nas Escrituras.

     Abre-se a nossa compreensão que desde muito cedo, ou mesmo no princípio, a igreja do Senhor Jesus Cristo entendeu a verdadeira e indispensável presença das escrituras sagradas para uma vida espiritual saudável, profunda e duradoura.

       

“Marcas Espirituais de Uma Igreja Saudável”

Segunda Marca:

“O Estudo Equilibrado e Aprofundado da Palavra

de Deus”

 

II – Deve ser Prioritário para Saúde Espiritual

Atos 1.3 “Aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias, e falando das coisas concernentes ao reino de Deus.”

     . A igreja em Jerusalém, desde os seus primeiros dias praticou seriamente o estudo das escrituras. Devemos recordar que, naqueles dias, as escrituras que eles dispunham era o Antigo Testamento e alguns ensinos de Jesus.

     . Afirma o Dr. Elias Dantas no seu comentário sobre esse início da igreja, que o próprio Senhor Jesus, antes de ser elevado aos céus, estabeleceu o primeiro instituto bíblico intensivo da história do cristianismo. Por 40 dias, ele ensinou aos seus discípulos sobre o Reino de Deus.

     . A centralidade das escrituras é identificada através das três próximas cenas da igreja em Jerusalém, na formação da nova comunidade: a primeira é o discurso de Pedro, em Atos 1.14-26, instruindo a igreja para a escolha de dois novos nomes, líderes dos quais um seria escolhido apóstolo no lugar de Judas. O discurso de Pedro instruindo a igreja é repleto de referências bíblicas.

14- Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus irmãos.

15- E naqueles dias, levantando-se Pedro no meio dos discípulos (ora a multidão junta era de quase cento e vinte pessoas) disse:

16- Homens irmãos, convinha que se cumprisse a Escritura que o Espírito Santo predisse pela boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam a Jesus;

17- Porque foi contado conosco e alcançou sorte neste ministério.

18- Ora, este adquiriu um campo com o galardão da iniqüidade; e, precipitando-se, rebentou pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram.

19- E foi notório a todos os que habitam em Jerusalém; de maneira que na sua própria língua esse campo se chama Aceldama, isto é, Campo de Sangue.

20- Porque no livro dos Salmos está escrito: Fique deserta a sua habitação, E não haja quem nela habite, Tome outro o seu bispado.

21- É necessário, pois, que, dos homens que conviveram conosco todo o tempo em que o Senhor Jesus entrou e saiu dentre nós,

22- Começando desde o batismo de João até ao dia em que de entre nós foi recebido em cima, um deles se faça conosco testemunha da sua ressurreição.

23- E apresentaram dois: José, chamado Barsabás, que tinha por sobrenome o Justo, e Matias.

24- E, orando, disseram: Tu, Senhor, conhecedor dos corações de todos, mostra qual destes dois tens escolhido,

25- Para que tome parte neste ministério e apostolado, de que Judas se desviou, para ir para o seu próprio lugar.

26- E, lançando-lhes sortes, caiu a sorte sobre Matias. E por voto comum foi contado com os onze apóstolos.

     . Faço aqui um alerta sobre a escolha de um apóstolo. Há duas condições básicas:

a) Ter andado com Jesus desde o batismo de João (Atos 1.21,22 a)

21- É necessário, pois, que, dos homens que conviveram conosco todo o tempo em que o Senhor Jesus entrou e saiu dentre nós,

22- Começando desde o batismo de João até ao dia em que de entre nós foi recebido em cima,

b) Ter testemunhado da ressurreição de Jesus (Atos. 1.22 b)

“... um deles se faça conosco testemunha da sua ressurreição.”   

. Aqui foi encerrado o Ministério de Apóstolo.

. Hoje, muitos querem, por ostentação esse título, que não é reconhecido pela Palavra de Deus, pois não atendem o que ensina a Bíblia.

     . A base bíblica sempre está presente no ensino de Pedro.

     . Sobre a atitude de Judas, ele cita os Salmos 69. 25; 109.8 para demonstrar que todos os acontecimentos que cercaram Judas eram proféticos.

Salmos 69. 25 “Fique desolado o seu palácio; e não haja quem habite nas suas tendas.”

Salmos 109.8 “Sejam poucos os seus dias, e outro tome o seu ofício.” 

     A segunda cena, encontra-se em Atos 2.14-40 por ocasião do Pentencostes, quando Pedro prega um sermão profundamente bíblico, que levou à conversão de cerca de 3 mil pessoas. Pedro cita o profeta Joel. (2.28-32) e os Salmos 16.8-11; 89.3,4; 132.11

Atos 2. 28-32

28- Fizeste-me conhecidos os caminhos da vida; Com a tua face me encherás de júbilo.

29- Homens irmãos, seja-me lícito dizer-vos livremente acerca do patriarca Davi, que ele morreu e foi sepultado, e entre nós está até hoje a sua sepultura.

30- Sendo, pois, ele profeta, e sabendo que Deus lhe havia prometido com juramento que do fruto de seus lombos, segundo a carne, levantaria o Cristo, para o assentar sobre o seu trono,

31- Nesta previsão, disse da ressurreição de Cristo, que a sua alma não foi deixada no inferno, nem a sua carne viu a corrupção.

32- Deus ressuscitou a este Jesus, do que todos nós somos testemunhas.

Salmos 16. 8-11

8- Tenho posto o SENHOR continuamente diante de mim; por isso que ele está à minha mão direita, nunca vacilarei.

9- Portanto está alegre o meu coração e se regozija a minha glória; também a minha carne repousará segura.

10- Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção.

11- Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há fartura de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente.

Salmos 89. 3,4

3- Fiz uma aliança com o meu escolhido, e jurei ao meu servo Davi, dizendo:

4- A tua semente estabelecerei para sempre, e edificarei o teu tro-no de geração em geração. 

Salmos 132.11

11 O SENHOR jurou com verdade a Davi, e não se apartará dela: Do fruto do teu ventre porei sobre o teu trono.

 

     A última cena descreve a vida comum da igreja. Entre as coisas que a igreja praticava diariamente, estava a perseverança nos ensinos dos apóstolos. (Atos 2.42)

“E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.”

     “A Igreja em Jerusalém entendia que só dessa forma podiam ter mais instrução religiosa: perseverando. Afastaram a ideia de viverem separadamente.

 

        “Marcas Espirituais de Uma Igreja Saudável”

Segunda Marca:

“O Estudo Equilibrado e Aprofundado da Palavra

de Deus”

 

III – Produz a Suficiente Confiança para Atravessar cada Situação da Vida.

     O Salmo 19.7-9 registra concisamente a confiança do salmista nas escrituras, quando ele afirma:

7- A lei do SENHOR é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do SENHOR é fiel, e dá sabedoria aos símplices.

8- Os preceitos do SENHOR são retos e alegram o coração; o mandamento do SENHOR é puro, e ilumina os olhos.

9- O temor do SENHOR é limpo, e permanece eternamente; os juízos do SENHOR são verdadeiros e justos juntamente.

     Esta é a maravilhosa Palavra de Deus. Em conhecê-la encontra-se o segredo de uma vida feliz. Ao aprendê-la, descobrimos que ela é mais desejável que o ouro depurado, e mais doce do que o mel dos favos.

     John M Carthur vê cinco declarações neste texto que, individualmente, descrevem o efeito na vida daqueles que a estudam e observam.

a) A Escritura é perfeita e restaura a alma. Ela é completa, compreensiva e suficiente, cobrindo tudo o que precisamos saber e observar em assuntos particulares em nossas vidas. Parafraseando Davi, a escritura é tão poderosa e compreensiva que ela pode converter e transformar a pessoa, como um todo, para tornar-se o que Deus espera que ela seja.

b) Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração. As palavras das escrituras apontam o caminho reto, no meio das dificuldades da vida. Tal afirmação enche o nosso coração de confiança. A falta de propósito e direção é algo muito trágico na vida de muitos, levando-os a buscar a solução em caminhos que parecem direito, mas o seu final são realidades de morte. A Palavra de Deus não somente é luz para o meu caminho, mas também lâmpada para os meus pés (Sl. 119.105)

“Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho.”

c) A Escritura é pura e ilumina os olhos. Esta palavra “pura” poderia ser traduzida por “clara” ou “lúcida”, indicando que as escrituras não são palavras mistificadoras ou confusas. A Palavra de Deus revela a verdade, para transformar as trevas em luz, trazendo a eternidade para o centro do foco da vida. Devido à sua clareza absoluta, a escritura traz o entendimento de onde a ignorância se encontra. Põe ordem onde há confusão, e luz onde há trevas morais e espirituais.

d) O temor do Senhor é límpido e permanece para sempre.

     Esse temor indica a admiração reverente por Deus, que compele os crentes que o adoram. A Escritura, neste sentido, é o manual divino que nos revela como adorá-lo. Ela não tem corrupção ou erro. A verdade que ela nos ensina é incontaminada e permanente.

     Como ela não contém erros, a escritura permanece para sempre. Qualquer tentativa de muda-la somente trará imperfeições. A escritura é eternamente e inalteravelmente perfeita. Ela não precisa ser revisada, editada ou refinada porque ela é a revelação divina para cada e todas as gerações. O seu inspirador foi o Espírito Santo, que é incomensuravelmente mais perfeito, sábio e sofisticado do que qualquer pessoa que ousa desafiar a relevância dela para nossa sociedade, e infinitamente mais sábio do que qualquer filósofo, analista ou psicólogo, que passam como o vento. A Escritura tem sempre sido, e sempre será, autossuficiente.

e) Por fim a quinta e última declaração de John MaCarthur sobre o Salmo 19.7-9: “Os juízos do Senhor são verdadeiros e todos igualmente justos.” A palavra “juízos”, nesse contexto, refere-se às ordenanças ou vereditos divinos que brotam do tribunal do Supremo Juiz da terra. A Bíblia é o padrão para julgar o destino da vida e da eternidade de cada pessoa.

 

CONCLUSÃO:

     Entre as razões pelas quais as escrituras são completamente dignas e indispensáveis para nós, cristãos, à parte de sua auto excelência e da honra que lhe devemos, a principal é: “os benefícios inumeráveis que nela existem. É o seu próprio inspirador, o Espírito Santo que afirma: “Toda a escritura é inspirada por Deus. É útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, afim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra (II Tim. 3.16-17)

16- Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça;

17- Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra.

     O propósito do conhecimento das escrituras é a nossa saúde espiritual.

     Jerônimo, conhecido como um dos doutores da igreja, ou pai, que dominava o grego e o hebraico, como poucos, e tradutor da bíblia dos originais para o latim, naquilo que ficou famoso como a Vulgato Latina, de onde temos hoje a tradução para o português afirmou em certa ocasião: “Não conhecer as escrituras é não conhecer Cristo.”

 

Pr. João Roberto Raymundo