A Realidade do Pecado

A Realidade do Pecado

 

     A perspectiva, quando pecamos, é criarmos um ambiente possível de transferirmos o nosso ato para circunstâncias que enfrentamos, ou nomear alguém que contribuiu para que errássemos. Mas a realidade é que, quando pecamos, dificilmente fazemos a coisa certa, conforme registra o pastor e escritor Israel Belo de Azevedo.

     Como Eva atribuímos ao outro a nossa desobediência, como se não tivéssemos recebido a mesma advertência. Como Caim desoneramo-nos de qualquer responsabilidade, com medo de enfrentar o grave peso da provocada realidade, prossegue Israel Azevedo. Como Lameque afirmamos que estamos seguindo nosso desejo, embora saibamos que adiante conheceremos o sombrio desfecho. Como Acã negamos, e em mentiras ainda piores nos envolvemos, jurando uma inocência que a memória informa que não temos. Como Davi iramo-nos contra quem trilha o caminho que tomamos, como se fôssemos ao velório chorar o corpo que nós ceifamos. Como Acabe procuramos atacar com força quem nos aconselha, mesmo reconhecendo que é excelente o caminho que nos revela. Como Uzias escolhemos a autossuficiência que ensoberbece, quando conhecemos a fonte que a saúde realmente fortalece. Como Pedro garantimos que pecar não está em nossa agenda, como o arrogante que a sua própria natureza não entenda. Como Judas remoemos o erro até que, por exaustão, nos asfixia, como se o perdão não pudesse graciosamente ser a nossa companhia. Como Ananias e Safira fazemos do nosso gesto a casa da aparência, em que importa a aprovação que buscamos mesmo com fraudulência. Como Diótrefes queremos receber homenagens, não fazer a missão, escravos da invisível mágoa que empedra e esboroa o nosso coração.

     Não queremos a culpa que nos faz bem quando vem da confissão. Não queremos a vergonha que é boa por revelar a nossa identidade. Não queremos o preço que pagaremos. Achamos que o nosso caso é especial, não segue nenhum exemplo. Essa é a realidade do pecado.

     Mas o bom é que não importa no pecado a sua imensa gravidade, desde que corramos para a graça de Deus com confiante seriedade. E livres, porque totalmente perdoados, sorvamos a paz, de um modo que só Jesus por amor completamente faz.

 

Adaptado

Pr. João Roberto Raymundo