Quando Deus nos Pede

“Quando Deus nos Pede”

 

“Disse-lhes Jesus: se queres ser perfeito, vai vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me.”

(Mateus 19.21)

 

     Em geral, quando nos aproximamos de Deus, é para fazermos algum pedido a Ele, mas Ele, as vezes, nos tira coisas.

     Esse diálogo de Jesus que Mateus relata, é com um jovem muito rico. Por ser de grandes posses, ele tenta argumentar com Jesus sobre sua conduta, sobre sua obediência aos dez mandamentos. Entretanto, o que o impedia de verdadeiramente ser discípulo de Jesus era sua zona de conforto, era sua segurança material. O texto revela que ele foi envolvido por uma tristeza, mas não abandonou o que ele idolatrava. (Mateus 19. 16-22).

     A história recente fala de um homem, de um servo de Deus muito conhecido nos meios evangélicos, chamado Enéas Tognini (1914-2015). Ele tinha uma biblioteca imensa e bem atualizada. Nesse ambiente escrevia seus livros e preparava seus estudos e sermões. O conheci aos 98 anos pregando em um congresso de pastores e, uma frase marcante foi: “A Bíblia é a nossa arca.”.

     Pois bem, em uma experiência iluminadora, ele teve um encontro com Deus. Deus não lhe deu coisas, mas lhe confiou uma tarefa que motivou toda sua longa existência, conforme relata um historiador. Ele tinha o dom da palavra em todos os seus espaços, com um poderoso jeito de animar as pessoas que saíam dos encontros com ele com uma férrea vontade de fazer mais e melhor.

     Houve, no entanto, um momento que Deus lhe pediu coisas, Deus lhe pediu livros. Muito ciente de sua situação, Enéas Tognini perguntou a Deus: o que queres de mim? A resposta jamais pensada por ele foi: quero sua biblioteca. Deus queria os livros onde Enéas Tognini estudava todos os dias, passando horas na companhia daqueles autores.

     A biblioteca era o seu refúgio. A biblioteca era a sua segurança. Enéas Tognini entendeu que tinha convertido os livros, bem arrumados, classificados, utilizados e anotados, em ídolos da sua vida. Ele amava mais os seus livros do que a Deus, como Pedro amava mais os peixes, os barcos e as redes. E o jovem do texto, suas propriedades.

     Enéas Tognini entregou seus livros, que distribuiu entre bibliotecas e instituições de ensino, mas ganhou um senso de missão que nunca mais arrefeceu. A sua vida impactou toda sua geração. E impacta até hoje. Como fez com Enéas Tognini, Deus nos pede coisas. Tognini lhe entregou sua biblioteca. Era sua idolatria. Diante do pedido feito a cada um de nós, a decisão nos cabe.

     O que temos idolatrado em detrimento da nossa missão: será o lazer, será o nosso lugar de conforto, será nossos bens, será nossa posição acadêmica, será nossas conquistas? Qual biblioteca que Deus nos pede? Do que precisamos abrir mão?

     O escritor Tim Keller escreveu: “O que é um ídolo? É algo mais importante para você do que Deus, algo que absorve seu coração e sua imaginação mais que Deus, algo que você procura para receber o que só Deus pode dar.”. Amém.

 

 

No Amor e na Graça de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo

Pr. João Roberto Raymundo